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23 julho, 2010

Voz Pejoteira - Valéria Lima

Quando o Henrique me pediu pra escrever um texto sobre a minha experiência na Pastoral da Juventude, um filme cheio de cenas passou pela minha cabeça. Uma enxurrada de sentimentos me inundou. Eu senti que deveria começar respondendo uma pergunta: afinal, o que a minha experiência na PJ influenciou na minha vida? A resposta é simples, porém ampla: em tudo.

Tudo o que sou hoje devo também ao grupo que compartilhou comigo tantos momentos especiais. Eu tinha 15, 16 anos na época em que descobri a PJ. Hoje tenho 32. E nesse período da vida do jovem, justamente, que se os pais não ficam de olhos bem abertos, a gente, na nossa ânsia adolescente, quer fazer de tudo, provar tudo, experimentar o mundo.

E foi justamente ai que a Pastoral teve um papel fundamental na minha vida e na de tantos outros jovens que estiveram comigo naquela caminhada. Nós estávamos engajados no difícil projeto de evangelizar outros jovens, propagar o exemplo de Jesus Cristo e tentar, nós mesmos, primeiro que tudo, seguir o projeto de Deus em detrimento do projeto dos homens. Estávamos ocupados demais com uma tarefa enorme e não tínhamos tempo pra mais nada. Tínhamos a cabeça em Deus e na construção de um mundo melhor.

Estávamos comprometidos na organização de tantos encontros da amizade, de cursos de teologia da libertação, de treinamentos de liderança cristã, de eventos culturais para os jovens da diocese. Todas essas experiências me proporcionaram formar a base de caráter que tenho hoje, e da qual tanto me orgulho.

Era enriquecedor saber que desenvolvíamos em nós mesmos e nos outros jovens a noção de cidadania, de vida em comunidade, de opção preferencial pelos pobres e ajudamos sim a construir uma igreja católica tão característica na America Latina, tão diferente da igreja católica do resto do mundo.

A gente era bem ‘politizado’, gostava de política e achava que era mesmo importante estar envolvido com ela, porque se a gente não gosta de qualquer forma será governado por gente que adora! Tínhamos nossos corações e mentes voltadas para lideres como Leonardo Boff, Dom Pedro Casaldáliga e Dom Oscar Romero. A gente militava dentro e fora da igreja.

Nos sentíamos orgulhosos em sermos perseverantes na fé, graças à nossa base de formação cristã. Esse sentimento não se perde jamais. Acredito que a maioria de nós vai levá-los consigo pela vida inteira. Vamos nos lembrar dos valores aprendidos e praticados a cada atitude em casa, na rua, no trabalho, com nossas novas comunidades. Como eu, meus amigos cresceram, casaram, mudaram de cidade, de país, de grupo, mas provavelmente não deixaram sair do coração os ensinamentos de Cristo Jesus.

Foi ótimo, e posso dizer que continua sendo ótimo ter pertencido à PJ. Eu sinceramente ainda me sinto "pertencendo", porque comungo com todos os jovens da America Latina a felicidade de ser, ainda, cristã e militante na fé, na esperança, no amor, na justiça, na paz.

Foi isso que aprendi na PJ. Na verdade, foi TUDO ISSO. Foram sementes plantadas em mim que florescem, ainda hoje, e vão florescer, pra sempre. Em mim e em quem mais eu puder cruzar nessa vida e compartilhar algo de bom.


Valéria Lima, tem 32 anos, é jornalista, mãe da Lara e casada.
Foi coordenadora do Grupo De Jovens da comunidade N. Sra. de Nazaré (Diocese de Osasco/SP).
Participou da organização de eventos na Diocese de Osasco/SP, como a Semana Cultural e Cursos para Formação, como Teologia da Libertação e Treinamento de Liderança Cristã.
E-mail: valeria.lima2005@hotmail.com



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