____________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________________________________

Arquivo do Blog:

03 janeiro, 2011

Voz Pejoteira - Mariana R. Malheiros

Mil Razões para viver:

“Feliz de quem passa pela vida tendo mil razões para viver”
(D. Hélder Câmara)

Quando recebi o convite do Henrique para escrever no “Voz Pejoteira” me senti alegre e lisonjeada, mas também com muito medo. Alegre porque é sempre muito bom falar sobre a PJ. Lisonjeada porque há algum tempo acompanho este blog, e sei que tem sido muito útil aos nossos jovens nas bases. Falo por experiência. Já vi pejoteiros da minha diocese utilizando este espaço como subsídio para estudo e preparação de encontros.

E medo também. Falar em pastoral é tão fácil que chega a ser complexo. Como já foi colocado em textos anteriores, cada um faz uma experiência única de PJ. Cada um tem sua forma de ser e vivenciar a PJ. Por mais jovens que existam num mesmo grupo todos vão responder de forma diferente sobre a PJ, seu significado, e seu sentido.

Comigo não poderia ser diferente. Nunca nada foi tão significativo pra mim quanto a PJ.

Me lembro do meu primeiro dia de grupo (Ah, saudade desse tempo!). Eu nunca fui tímida, já cheguei falando e opinando, mas desconfiada de tudo. Sempre fui assim em todos os aspectos da minha vida. Demora um tempo até que minha confiança seja conquistada e que eu realmente me envolva em algo. Demorei um tempo para amar a PJ. A medida que ia descobrindo, ia me apaixonando. Em cada indicação de livro, em cada canção que aprendia, nas tardes de encontro com o grupo, nas discussões sobre fé e política que pareciam não levar a lugar nenhum, na convivência com os colegas e depois, amigos de grupo, aprendi a amar e ser PJ, com seus erros e acertos. Na PJ, sem exagero, encontrei “mil razões para viver”.

Esse ano passei uma experiência interessante. Fiz um teste seletivo para estagiários do Ministério Público. O teste foi composto por duas fases: a primeira era com questões objetivas e uma questão subjetiva. Os classificados iriam pra segunda fase, que era uma entrevista. Vi o resultado da primeira fase. Passei. Era uma sexta-feira e naquele fim de semana fui à reunião da Executiva da PJ Regional em Ponta Grossa, perto da minha cidade, Guarapuava. Falamos muito da Campanha Nacional contra a Violência e o Extermínio de Jovens. No domingo, quando cheguei em casa, estava muito cansada, sem pique pra estudar. Segunda-feira de manhã acordei em cima da hora e corri até a sede do Ministério Público, onde seria a entrevista. Nem consegui preparar nada. Quando entrei na sala estavam três promotores e começamos a conversar. Aí, me perguntaram sobre o meu interesse na área de Infância e Juventude. Comecei a falar da PJ e fiquei muito feliz ao ver o interesse dos promotores. Falei do trabalho feito nas bases, da realidade da PJ, e o quanto os grupos de jovens são fundamentais para a formação de verdadeiros cristãos/cidadãos. Eles já tinham ouvido falar e respeitavam o nosso trabalho. Eu ainda estava com o material utilizado na reunião e mostrei pra eles alguns aspectos jurídicos presentes naquele material tão bem elaborado. Eles adoraram. Ainda ouvi de um deles “o MP precisa de pessoas assim, apaixonadas pelo que fazem”. E agora estou estagiando na promotoria de infância e juventude do meu município.

É muito bom fazer parte de algo tão importante quanto a PJ, que faz um trabalho verdadeiro com a juventude, que procura formar jovens e não aliená-los, e que contribui muito na construção do “outro mundo possível”. É como canta o Jorge Trevisol “O rosto de Deus é jovem também (…) se a juventude viesse a faltar o rosto de Deus iria mudar”. Sem a PJ o mundo seria um lugar mais triste pra se viver.

Não há nada de excepcional na PJ. E aí está a sua beleza. É o dia a dia que constrói a PJ e seus integrantes. São os problemas de cada participante do grupo que todos se mobilizam para ajudar. São as discussões sobre a comunidade e a sociedade. São as festas paroquiais em que trabalhamos. São as causas sociais que nos envolvemos. Tudo isso faz a PJ acontecer. Construímos a Civilização do Amor a partir da própria experiência de fé e amizade, do próprio protagonismo.

Na PJ podemos vivenciar tudo: festas, lutas, espiritualidades, tristezas e principalmente alegrias. E é exatamente por isso que eu nunca vou deixar a PJ. Na PJ eu aprendo todo dia a coisa mais importante de todas: a ser seguidora do Cristo Libertador, que ama todos os jovens, independente de raça, cor, sexo ou mesmo religião.

E retomando o grande D. Hélder Câmara “Feliz de quem passa pela vida tendo mil razões para viver”. Na PJ eu encontro mil e uma.


Mariana Rocha Malheiros, 21 anos, acadêmica do curso de Direito, estagiária do Ministério Público, integrante da coordenação da Pastoral da Juventude da Diocese de Guarapuava/PR - Decanato Centro, cantora e feminista.




E-mail e MSN: nanamalheiros@hotmail.com
Twitter: http://twitter.com/mar_malheiros
Orkut: Perfil de Mari Malheiros! 

2 comentários:

  1. Parabéns e obrigado pela partilha de vida, esperança e ousadia, querida Mari. Você é uma pessoa especial. Tenho certeza que tuas palavras chegaram no coração de cada um/a... Abraços pejoteiros e muito Axé...(Fábio Ferreira - Itarantim-BA)

    ResponderExcluir
  2. Nossa, show de bola, ficou muito bom seu texto, quando falamos ou escrevemos sobre PJ, o espaço fica curto, ou mesmo o tempo não é suficiente para falar tudo que deseja e sente, pois a PJ é inexplicavel, são esses testemunhos que fazem com que cada vez mais agente lute pela Juventude, pela PJ (Rodrigo Jung - Missal - PR, coordenador diocesano da PJ FOZ)

    ResponderExcluir

Receba as postagens por e-mail:

Busca no blog: